sábado, 28 de maio de 2011

Métodos em Psicologia


A psicologia procura estudar o comportamento e os processos mentais tendo quatro objectivos: Descrever, explicar, prever e controlar.  

Para o fazer recorre a cinco métodos, sendo eles: O introspectivo, a observação, o experimental, o clínico e a psicanalítico. 
Este último método pode utilizar quatro técnicas sendo elas:
·       - Associações livres
·        -Interpretação de sonhos
·       - Análise de actos falhados
·        -Transferência

O vídeo que se segue é um trailer de uma série que aborda precisamente esta temática:


Behaviorismo de Watson – A Experiência com o “Pequeno Albert”


Watson foi considerado o pai da psicologia e com isso dedicou-se ao estudo do comportamento, recorrendo ao método experimental.
 Acreditava que a cada estimulo correspondia um comportamento e alterando esse estimulo o comportamento seria modificado. Se os estímulos fossem iguais, os comportamentos seriam iguais mesmo que fossem pessoas diferentes a ser submetidas a esses estímulos. O indivíduo era visto e considerado como uma “tábua rasa”.
 O vídeo que se segue ilustra a experiência do Watson com o “Pequeno Albert”. O que podemos ver é que uma criança que, inicialmente, não sentia medo foi condicionada passando assim a ter medo na presença de determinados estímulos, tendo concluído que o medo e outros comportamentos não eram hereditários mas sim adquiridos.

Vygotsky- A importância da interacção social no desenvolvimento da criança

Vygotsky desenvolveu a teoria sociocultural do desenvolvimento cognitivo. Ele dizia que as estruturas e as relações sociais levam ao desenvolvimento da criança. Ao contrário da imagem de Piaget em que o indivíduo constrói a compreensão do mundo -o conhecimento - sozinho, Vygostky via o desenvolvimento cognitivo como dependendo mais das interacções com as pessoas e com os instrumentos do mundo da criança. Assim o jogo tem um papel fundamental na sua evolução mas é muito importante um acompanhamento feito pelo adulto onde este o irá estimular e assim o progresso será maior e melhor.
Na sua teoria Vygotsky refere a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) que corresponde ao intervalo entre a resolução de problemas assistida e individual. Uma vez adquirida a linguagem nas crianças, elas utilizam a linguagem/discurso interior, falando alto para elas próprias de forma a direccionarem o seu próprio comportamento.
Poderemos comprovar isso no vídeo que se segue onde vemos a criança a aprender interagindo com a mãe.

O construtivismo e os estádios de desenvolvimento cognitivo de Piaget



O construtivismo é a teoria do desenvolvimento do conhecimento, que procura descobrir as raízes dos distintos tipos de conhecimento desde as suas formas mais elementares e seguir o seu desenvolvimento até aos níveis superiores, nomeadamente o conhecimento científico.  
Piaget parte do pressuposto que o conhecimento é uma continua construção, e que a inteligência não é mais do que uma adaptação do organismo ao meio, em resultado de um equilíbrio entre as acções do organismo sobre o meio e deste sobre o organismo (interacção).
O construtivismo (ou psicologia genética) procura explicar o desenvolvimento do pensamento (inteligência) como um processo que atravessa várias fases. Cada uma delas representa um estádio de equilíbrio, cada vez mais estável, entre o organismo e o meio, onde ocorrem determinados mecanismos de interacção, como a assimilação e a acomodação.
Esta é uma concepção psicogenética do conhecimento, atribuindo ao indivíduo um papel activo na construção do conhecimento. As estruturas da inteligência não são apenas inatas e o sujeito não organiza a experiência do meio apenas a partir dessas estruturas (como defendia o gestaltismo) e o comportamento não é apenas o resultado da acção do meio sobre o sujeito (como defendia o behaviorismo). O conhecimento é o produto de uma construção contínua do sujeito agindo sobre o meio.

Os estádios de Desenvolvimento Cognitivo de Piaget, dividem-se em:
Estádio sensório- motor (dos 0 aos 18/24 meses)
Estádio pré- operatório (dos 2 aos 7 anos )
Estádio das operações concretas ( dos 7 aos 11/12 anos)
Estádio das operações formais ( dos 11/12 aos 15/16 anos)

Estádios de desenvolvimento
   Cada estádio é definido por diferentes formas do pensamento. A criança deve atravessar cada estádio segundo uma sequência regular, ou seja, os estádios de desenvolvimento cognitivo são sequenciais. Se a criança não for estimulada / motivada na devida altura não conseguirá superar o atraso do seu desenvolvimento. Assim, torna-se necessário que em cada estádio a criança experiêncie e tenha tempo suficiente para interiorizar a experiência antes de prosseguir para o estádio seguinte.   
  Normalmente, a criança não apresenta características de um único estádio, com excepção do sensório - motor, podendo reflectir certas tendências e formas do estádio anterior e / ou posterior, Ex. : uma criança que se encontre no estádio das operações concretas pode ter pensamentos e comportamentos característicos do pré-operatório e / ou algumas atitudes do estádio das operações formais.

Estádio sensório- motor (0 - 18/24 meses)
    A actividade cognitiva durante este estádio baseia-se, principalmente, na experiência imediata através dos sentidos em que há interacção com o meio, esta é uma actividade prática. Na ausência de linguagem para designar as experiências e assim recordar os acontecimentos e ideias, as crianças ficam limitadas à experiência imediata, e assim vêem e sentem o que está a acontecer, mas não têm forma de categorizar a sua experiência, assim, a experiência imediata durante este estádio, significa que quase não existe nada entre a criança e o meio, pois a organização mental da criança está em estado bruto, de tal forma que a qualidade da experiência raramente é significativa, assim, o que a criança aprende e a forma como o faz permanecerá como uma experiência imediata tão vivida como qualquer primeira experiência. A busca visual é um comportamento sensório-motor e é fundamental para o desenvolvimento mental, pois este tem que ser aprendido antes de um conceito muito importante designado por permanência do objecto. À medida que as crianças começam a evoluir intelectualmente compreendem que, quando um objecto desaparece de vista, continua a existir embora não o possam ver, pois ao saberem que esse desaparecimento é temporário, são libertas de uma incessante busca visual. A experiência de ver objectos nos primeiros meses de vida e, posteriormente, de ver os mesmos objectos desaparecer e aparecer tem um importante papel no desenvolvimento mental. Assim, podemos afirmar que a ausência de experiência visual durante o período crítico da aprendizagem sensório - motora, impede o desenvolvimento de estruturas mentais. Sendo durante este estádio que os bebés aprendem principalmente através dos sentidos e são fortemente afectados pelo ambiente imediato, mas contudo, sendo também neste estádio que a permanência do objecto se desenvolve, podemos então afirmar que, os bebés são capazes de algum pensamento representativo, muito semelhante ao do estádio seguinte, pois seria um erro afirmar que, sendo a sua fala, gestos e manipulações tão limitadas, não haveria pensamento durante o período sensório-motor. “Nada substitui a experiência”, é uma boa síntese do período sensório-motor do desenvolvimento cognitivo, pois é a qualidade da experiência durante este primeiro estádio que prepara a criança para passar para o estádio seguinte.
  
Estádio Pré-operatório (2 - 7 anos)
Este estádio também chamado pensamento intuitivo é fundamental para o desenvolvimento da criança. Apesar de ainda não conseguir efectuar operações, a criança já usa a inteligência e o pensamento.Este é organizado através do processo de assimilação, acomodação e adaptação.
Neste estádio a criança já é capaz de representar as suas vivências e a sua realidade, através de diferentes significantes:
- Jogo : Para Piaget o jogo mais importante é o jogo simbólico (só acontece neste período), neste jogo predomina a assimilação (Ex. : é o jogo do faz de conta, as crianças "brincam aos pais", "ás escolas", "aos médicos", ...). o jogo de construções transforma-se em jogo simbólico com o predomínio da assimilação (Ex. : Lego - a criança diz que a sua construção é, por exemplo, uma casa. No entanto, para os adultos "é tudo menos uma casa").
Inicialmente (mais ao menos aos dois anos), a criança fala sozinha porque o seu pensamento ainda não está organizado, só com o decorrer deste período é que o começa a organizar, associando os acontecimentos com a linguagem na sua acção.
A criança ao jogar está a organizar e a conhecer o mundo, por outro lado, o jogo também funciona como "terapia" na libertação das suas angústias. Além disto, através do jogo também nos podemos aperceber da relação familiar da criança (Ex. : Quando a criança brinca com as bonecas pode mostrar a sua falta de amor por parte da mãe através da violência com que brinca com elas).
- Desenho : Até aos dois anos a criança só faz riscos, sem qualquer sentido, porque, para ela, o desenho não tem qualquer significado.
A criança, aos três anos já atribui significado ao desenho, fazendo riscos na horizontal, na vertical, espirais, círculos, no entanto, não dá nome ao que desenha. Tem uma imagem mental depois de criar o desenho.Mas aos quatro anos a criança já é mais criativa e começa a perceber os seus desenho  e projecta no desenho o que sente.
De um modo geral, podemos dizer que, neste estádio, o desenho representa a fase mais criativa e diversificada da criança.
A criança projecta nos seus desenhos a realidade que ela vive, não há realismo na cor, e também não há preocupação com os tamanhos. Nesta fase os desenhos começam a ser mais compreensíveis pelos adultos. A criança vai desenhar as coisas à sua maneira e segundo os seus esquemas de acção e não se preocupa  com o realismo. Também aqui a criança vai utilizar a assimilação.
- Linguagem : A linguagem, neste período, começa a ser muito egocêntrica, pouco socializada, ou seja, a linguagem está centrada na própria criança. Ela não consegue distingir o ponto de vista próprio, do ponto de vista do outro e, por isso, revela uma certa confusão entre o pessoal e o social, o subjectivo e o objectivo. Este egocentrismo não significa egoísmo moral. Traduz, "por um lado, o primado da satisfação sobre a constatação objectiva ... e, por outro, a deformação do real em função da acção e ponto de vista próprios. Nos dois casos, não tem consciência de si mesmo, sendo sobretudo uma indissociação entre o subjectivo e o objectivo ...".Isto manifesta-se através dos monólogos e dos monólogos colectivos, (Ex. : quando num grupo de crianças estão todas a falar, dá a sensação que estão a conversar umas com as outras, mas não, estão sim todas a falarem sozinhas e ao mesmo tempo, ou seja, cada uma está no seu monólogo e assim manifesta o seu egocentrismo).
O termo egocentrismo, característica descritiva do pensamento pré-operatório, foi progressivamente sendo utilizado por Piaget, que o substitui pelo termo descentração.
A partir dos dois anos dá-se uma enorme evolução na linguagem, a título de exemplo, uma criança de dois anos compreende entre 200 a 300 palavras, enquanto que uma de cinco anos compreende 2000. Este aumento do número de vocábulos é favorecido pela forte motivação dos pais, ou seja, quanto mais forem estimulados (canções, jogos, histórias , etc.), melhor desenvolvem a sua linguagem. Neste estádio a criança aprende sobretudo de forma intuitiva, isto é, realiza livres associações, fantasias e atribui significados únicos e lógicos. Se atentarmos a uma experiência muito conhecida de Piaget em que é dado a uma criança dois copos de água com igual quantidade de líquido, embora um alto e estreito e outro baixo e largo, intuitivamente a criança escolhe o copo alto pois no seu entender este parece conter mais água.
- Imagem e pensamento : A imagem mental é o suporte para o pensamento. A criança possui imagens estáticas tendo dificuldade em dar-lhe dinamismo. O pensamento existe porque há imagem. É um pensamento egocêntrico porque há o predomínio da assimilação, é artificial. Na organização do mundo a criança dá explicações pouco lógicas.

   Entre os 2 e os 7 anos distinguem-se dois subestádios: o do pensamento intuitivo e o do pensamento pré - conceptual. O pensamento intuitivo surge a partir dos 4 anos, permitindo que a criança resolva determinados problemas, mas este pensamento é irreversível, isto é, a criança está sujeita às configurações preceptivas sem compreender a diferença entre as transformações reais e aparentes. No pensamento pré - conceptual domina um pensamento mágico, onde os desejos se tornam realidade e que possui também as seguintes características:   
    Animismo - A criança vai dar características humanas a seres inanimados.Este animismo vai desaparecendo progressivamente, aqui salienta-se a importância do papel do adulto, na medida que, a partir, sensivelmente dos cinco anos, não deve reforçar, mas sim atenuar o animismo.
    Realismo - A realidade é construída pela criança. Se no animismo ela dá vida às coisas, no realismo dá corpo, isto é, materializa as suas fantasias. Se sonhou que o lobo está no corredor, pode ter medo de sair do quarto.
    Finalismo - Existe uma relação entre o finalismo e a causalidade. A criança ao olhar o mundo tenta explicar o que vê, ela diz que se as coisas existem têm de ter uma finalidade, no entanto, esta ainda é muito egocêntrica. Tudo o que existe, existe para o bem essencial dela própria. Também aqui o adulto reforça o finalismo. Vai diminuindo progressivamente ao longo do estádio, apesar de persistir mais tempo que o animismo, devido às atitudes  e respostas que os adultos dão às crianças.
Com o decorrer do tempo, os pais terão de ensinar, à criança, novos conceitos, de modo  que  futuramente ela não tenha dificuldade em aprendê-los.
    Artificialismo - É a explicação de fenómenos naturais como se fossem produzidos pelos seres humanos para lhes servir como todos os outros objectos: o Sol foi aceso por um fósforo gigante; a praia tem areia para nós brincarmos.

   Piaget, considerou a irreversibilidade uma das características mais presentes no pensamento da criança pré-operatória, para melhor entendermos este ponto, tomemos em conta a seguinte experiência:
   Piaget questionou uma criança de quatro anos: "Tens uma irmã? Sim, e a tua irmã tem uma irmã? Não, ela não tem uma irmã, eu sou a minha irmã". Através das respostas dadas pela criança Piaget apercebeu-se da grande dificuldade que estas têm em compreender a reversibilidade das relações. No seu entender, a criança não tem mobilidade suficiente para compreender que quando uma determinada acção já está realizada podemos voltar atrás. Desta forma,   podemos dizer que as estruturas mentais neste estádio são amplamente intuitivas, livres e altamente imaginativas.
   Para concluir a abordagem a este estádio é importante referir que a criança ao contactar com o meio de forma activa está a favorecer a sua aprendizagem de uma forma criativa e original.
   Este estádio é fundamental pois a criança aprende de forma rápida e flexível, inicia-se o pensamento simbólico, em que as ideias dão lugar á experiência concreta. As crianças conseguem já partilhar socialmente as aprendizagens fruto do desenvolvimento e da sua comunicação.


Estádio das operações concretas (7 - 12 anos)
    Para Piaget é neste estádio que se reorganiza verdadeiramente o pensamento. Como já referi no estádio anterior as crianças são sonhadoras, muito imaginativas e criativas. É a partir deste estádio (operações concretas) que começam a ver o mundo com mais realismo, deixam de confundir o real com a fantasia. É neste estádio que a criança adquire a capacidade de realizar operações. Podemos definir operação como a acção interiorizada - realizada no pensamento, componivel - composta por várias acções; reversível - pode voltar ao ponto de partida. A criança já consegue realizar operações, no entanto, precisa de realidade concreta para realizar as mesmas, ou seja, tem que ter a noção da realidade concreta para que seja possível à criança efectuar as operações.
   Para compreendermos qual o aspecto fundamental do período que estamos a analisar, voltamos a referir a experiência dos copos de água. Se no estádio anterior a criança não conseguia perceber que a quantidade era a mesma independentemente do formato do copo, neste estádio elas já percebem que a quantidade (volume) do líquido é a mesma, pois já compreendem a noção de volume, bem como peso, espaço, tempo, classificação e operações numéricas.
- Espaço - organiza-se pela organização diferenciada dos vários espaços. A criança vai conhecendo os vários espaços nos quais interage, organizando-os. Também aqui está presente a reversibilidade do real, onde o conceito de espaço está relacionado com o conceito de operação. O espaço isolado por si só não existe.
- Tempo -  não há reversibilidade do real, o tempo existe apenas no nosso pensamento, os acontecimentos sucedem-se num determinado espaço, e o tempo vai  agrupando-os.
- Peso - para que a criança domine este conceito é fundamental que compare diversos objectivos para os poder diferenciar.
- Classificação - primeiro a criança tem que agrupar os objectos pela sua classe e tamanho, depois os classificar e consequentemente adquirir conceitos.
- Operações numéricas - primeira a criança aprende o conceito de número e seriação, por volta dos sete anos, depois a classificação da realidade, mas essa classificação vai variando conforme a aprendizagem que ela vai fazendo ao longo do tempo.
   Apesar de neste estádio a criança já conseguir efectuar operações correctamente, precisa ainda de estar em contacto com a realidade, por isso o seu pensamento é descritivo e intuitivo /parte do particular para o geral). Ao longo deste período já não tem dificuldade em distinguir o mundo real da fantasia. A criança já interiorizou algumas regras sociais e morais e, por isso, as cumpre deliberadamente para se proteger. É nesta fase que a criança começa a dar grande valor ao grupo de pares, por exemplo, começa a gostar de sair com os amigos, adquirindo valores tais como a amizade, companheirismo, partilha, etc., começando a aparecer os líderes.
   Progressivamente a criança começa a desenvolver capacidade de se colocar no ponto de vista do outro, descentração cognitiva e social. Nesta fase deixa de existir monólogo passando a haver diálogo interno. O pensamento é cada vez mais estruturado devido ao desenvolvimento da linguagem. A criança tem já mais capacidade de estar concentrada, e algum tempo interessada em realizar determinada tarefa.

Estádio das operações formais (11/12 - 15/16 anos)
    A transição para o estádio das operações formais é bastante evidente dadas as notáveis diferenças que surgem nas características do pensamento. É no estádio operatório formal que a criança realiza raciocínios abstractos, não recorrendo ao contacto com a realidade. A criança deixa o domínio do concreto para passar às representações abstractas. É nesta fase que a criança desenvolve a sua própria identidade, podendo haver, neste período problemas existências e dúvidas entre o certo e o errado. A criança manifesta outros interesses e ideais que defende segundo os seus próprios valores e naquilo que acredita.
   O adolescente pensa e formula hipóteses, estas capacidades vão permitir-lhe definir conceitos e valores, por exemplo estudar determinada disciplina, como a geometria descritiva e a filosofia. A adolescência é caracterizada por aspectos de egocentrismo cognitivo, pois o adolescente possui a capacidade de resolver os problemas que  por vezes surgem á sua volta.

Como se efectua  a passagem  ao estádio seguinte:
   Por vezes, as crianças observam os adultos ou outras crianças mais velhas quando estão a resolver os problemas. Notam que o fazem de uma maneira diferente da sua, por meio de regras que pertencem a outro estádio desenvolvimento e, por isso, sentem-se perdidas. Mas este sentimento, que se deve à disparidade entre elas e os mais velhos na resolução de problemas, tem os seus pontos benéficos. A criança procura então reduzir a distância que a separa das outras, mais velhas e, por isso, aprende novas regras. Se a criança for suficientemente madura imitará o modelo de acção usado pelos mais velhos e, por consequência, iniciará a sua entrada no estádio seguinte. A aprendizagem de conceitos novos e de esquemas de comportamento pode pois ser efectuada socialmente, pela observação de outras pessoas.

domingo, 22 de maio de 2011

Teoria do Desenvolvimento Moral


 Lawrence Kohlberg
 
Para Kohlberg a maturidade moral é atingida quando o indivíduo é capaz de entender
que a justiça não é a mesma coisa que a lei; que algumas leis existentes podem ser
moralmente erradas e devem, portanto, ser modificadas.
Criou a teoria dos estádios morais, pois acreditava que o nível mais alto da moralidade
exige estruturas lógicas novas e mais complexas do que as apresentadas por Piaget
Assim, segundo o autor, existem três níveis da moralidade. O primeiro chamou de
nível pré-convencional que se caracteriza pela moralidade heterônoma, onde "as regras
morais derivam da autoridade, são aceitas de forma incondicional e a criança obedece
para evitar um castigo ou para ser recompensada" (ARANHA e MARTINS, 2003, p.
311). O indivíduo deste estágio, define a justiça em função de diferenças de poder e
status, sendo incapaz de diferenciar perspectivas nos dilemas morais. Há neste nível um
segundo estágio, o qual Kohlberg, chamou de moralidade de intercâmbio, pois inicia-se
o processo de descentração, possibilitando ao indivíduo perceber que outras pessoas
também tem seus próprios interesses, porém a moral ainda permanece individualista,
fazendo com que estabeleça trocas e acordos. Segundo Dáz-Aguado e Medrano (1999),
Kohlberg afirmava que as regras e expectativas sociais, são externas ao eu.
O segundo nível, classificado por Kohlberg, foi chamado de nível convencional, o qual
valoriza-se o reconhecimento do outro e inclui dois estágios: o da moralidade da
normativa interpessoal e o da moralidade do sistema social. No primeiro começa-se a
seguir as regras para assim garantir um bom desempenho do papel de "bom menino" e
de "boa menina", percebe-se uma preocupação com as outras pessoas e seus
sentimentos. Já no segundo estágio, o indivíduo "adopta a perspectiva de um membro da
sociedade baseada em uma concepção do sistema social como um conjunto consistente
de códigos e procedimentos que se aplicam imparcialmente a todos os seus membros"
(DÍAZ-AGUADO e MEDRANO, 1999, p. 31).
O terceiro nível foi chamado de nível pós-convencional, considerado por Kohlberg,
como o mais alto da moralidade, pois o indivíduo começa a perceber os conflitos entre
as regras e o sistema, o qual foi dividido entre o estágio da moralidade dos direitos
humanos e o estágio dos princípios éticos universais. Neste nível, os comportamentos
morais passam a ser regulados por princípios (exemplo: o indivíduo não rouba
simplesmente porque sabe que isso é errado).


"Os valores são independentes dos grupos ou das pessoas que os sustentam, porque são
princípios universais de justiça: igualdade dos direitos humanos, respeito à dignidade
das pessoas, reconhecimento de que elas são fins em si e precisam ser tratadas como tal.
Não se trata de recusar leis ou contratos, mas de reconhecer que eles são válidos porque
se apoiam em princípios" (ARANHA e MARTINS, 2003, p. 312).
Segundo os estudos de Kohlberg, pouquíssimas pessoas atingem o último nível da
construção moral, o qual alega inúmeros motivos. Ao encontrar soluções aceitáveis a tal
descoberta, o autor justifica que em primeiro lugar as pessoas não nascem morais, mas
que seu comportamento moral evolui a partir de etapas e de oportunidades que
procedem à descentração. Partindo deste pensamento, Kohlberg esperava que os pais e
professores estivessem moralmente maduros para auxiliarem as crianças, mas, como ele
mesmo percebeu, nem sempre isto ocorre. Outro facto que o autor aponta é que sentia
dificuldades em encontrar professores para auxiliá-lo, uma vez que muitos se
encontravam no nível pré-convencional. Mais uma vez, constatamos que a influência do
adulto na construção moral da criança é um facto importante, pois se segundo Kohlberg, o adulto encontra dificuldades em atingir o nível máximo da moralidade, como poderá
construí-la nas crianças?

Podemos esquematizar a teoria de Kohlberg da seguinte maneira:

Nível 1 (Pré-Convencional)
            1. Orientação "punição obediência"          
            (Como eu posso evitar a punição?)

         2. Orientação auto-interesse                                                                  
         (O que eu ganho com isso?)

 Nível 2 (Convencional)
                                 
3. Acordo interpessoal e conformidade
(Normas sociais)
(Orientação "bom moço"/"boa moça")

4. Orientação "manutenção da ordem social e da autoridade" 
(Moralidade "Lei e Ordem")
 Nível 3 (Pós-Convencional)
5. Orientação "Contrato Social"                                               

            6. Princípios éticos universais
            (Consciência principiada)